Acontecendo

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Colégio Coronel Amazonas participa do Programa Escrevendo o Futuro e Olimpíada de Língua Portuguesa


O Colégio Estadual Coronel Amazonas-EFM., participou do Programa com algumas turmas, sob a coordenação da professora Joelma R. Paes Nobrega e do professor Maikel Ribeiro, onde os alunos foram orientados para a produção de texto.

O Programa Escrevendo o Futuro entende a leitura e escrita como práticas sociais: a língua é viva e usada a todo instante, na família, na escola, no trabalho, na comunidade. Nesse sentido, contribui para a melhoria do ensino da leitura e escrita nas escolas públicas de todo país.

A Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro é um concurso de produção de textos para alunos e professores de escolas públicas brasileiras, do 5º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio.


A professora Joelma, convidou o Sr. Otávio Melo (85) para contar aos seus alunos um pouco da sua história de vida e relatar também sobre o município de Porto Amazonas antigamente. Sua vivência e seus relatos, contribuíram muito para a escrita dos alunos.

Os textos produzidos tinham que seguir alguns critérios estabelecidos pelo Programa. Para o Ensino Fundamental: Memórias Literárias e para o Ensino Médio Artigo de Opinião.

O trabalho dos alunos foi riquíssimo, muitos textos ótimos, mas somente um poderia ser escolhido para participar da etapa a nível municipal.

A comissão julgadora selecionou o texto da aluna Camila Aparecida Diogo (8º Ano – manhã) com o título “Saudades” e do aluno Ramon Ribas Hillebrant (3º Ano – manhã) com o título: “Saudades do que não vivi”. Esses mesmos textos foram selecionados a nível municipal e agora estão concorrendo com alunos de outras escolas públicas na etapa Estadual.

Você terá a oportunidade de conhecer os textos produzidos e selecionados e os demais textos dos alunos do 8º Ano da manhã, sob a orientação da professora Joelma. Clique aqui para ler todos os textos produzidos, abaixo os dois selecionados.

Camila Aparecida Diogo (8º Ano – manhã) com o título “Saudades”


Saudades das viagens de trem, especialmente daquela vez que fui a Curitiba com meu saudoso pai e lá encontramos um velho amigo que retornava da Itália, vindo da guerra, ele veio feliz me dando vários chocolates, não me recordo seu nome, mas eu fiquei tão feliz...

Naquele dia comi tanto chocolate, há!! O sabor do chocolate se tornou inesquecível na minha memória, nunca esqueci do sabor do chocolate e nem do fim da guerra.

Sinto saudades do cinema, dos tempos em que uma única pedra poderia estar na simplicidade das brincadeiras e dava tanta alegria. Era uma cidade pequena no tamanho, mas imensa na diversão.

Saudades do rolar da bola no campo do Renascença que emocionava e divertia os meninos, deixando a torcida vibrar.

Saudades dos pulos no carnaval, das marchinhas envolventes e das purpurinas que brilhavam no ar.

Saudades do trem que passava deixando a fumaça no ar. Agora só nos resta saudades, saudades de um tempo que já se foi e que não volta mais...

Saudades de quando saia na rua para brincar e o cheiro da comida da minha mãe no fogão a lenha me seduzia para entrar para casa, aquela comida feita com amor que dava mais apetite e gosto de comer.

Saudades da poeira que os cavalos levantavam no campo de carreira onde a multidão vibrava com as pegadas que os cavalos deixavam na pequena raia do Sr. Patrono, saudades de ser jovem para poder cavalgar e gritar, pulando cada vez mais quando um cavalo entrava para fazer seu show.

Saudades das fazendas ao redor do município, dos verdes campos, dos animais, do amanhecer tirando o leite das vacas, montando nos cavalos e se divertindo com os animais domésticos.

Saudades do romantismo, dos casais apaixonados que se encontravam na praça central para ver a chegada do trem e trocar olhares que se confundiam na fumaça da máquina, deixando o cheiro de amor no ar.

Tenho até saudades das reguadas que levava quando não sabia a tabuada, porque hoje percebo que valeu a pena cada reguada porque me fez ser a pessoa que fui e sou até hoje.

Saudades dos uniformes (guarda-pós) que nos tornavam todos iguais.

Saudades dos navios a vapor que navegavam nas águas do Iguaçu e que inspirou a construção do prédio da nossa atual prefeitura municipal.

Saudades de sair pescar no Rio Iguaçu, de lançar a vara e pegar vários peixes, de ter aquela energia e ter aquela disposição de antes, de ser jovem novamente...

Saudades das festas e dos desfiles da minha querida escola, onde os alunos felizes marchavam com patriotismo e muita alegria.

Saudades da época em que as casas eram todas de madeira, com pessoas simples, mas muito felizes, casas que agora são substituídas pela modernidade.

Saudades da cidade em festa, do povo pulando e dançando com música e muita alegria, pessoas despreocupadas com o amanhã. Saudades disso tudo!

Eu eduquei meus filhos com muito amor e muito carinho e hoje me orgulho de vê-los como mestres, ensinando outros do jeito que pude educá-los.

Obrigada Porto Amazonas por todas as lembranças e todas as memórias marcadas em minha história. Hoje só me resta saudades...

Texto escrito com base no depoimento do Sr. Otávio Melo, 87 anos.


Ramon Ribas Hillebrant (3º Ano – manhã) com o título: “Saudades do que não vivi”


Se vivêssemos há muitas décadas em Porto Amazonas, poderíamos presenciar constantemente o vai e vem dos vapores que aportavam no Rio Iguaçu, uma linha férrea onde sempre ouviríamos o estridente apito do trem, anunciando sua chegada, trazendo e levando muitos carregamentos e passageiros, grandes indústrias instaladas que geravam empregos para muitos pais de família e jovens da cidade, entusiasmados com o primeiro emprego, um comércio local empolgado com as vendas promissoras, uma animada escola de samba, com vários integrantes que ensaiavam durante o ano todo para desfilar nas ruas da cidade em fevereiro e os mais antigos habitantes afirmam que até um cinema que estreava os filmes da época aqui já existiu. Também passaram muitos coronéis e políticos importantes que desde aquela época já marcavam presença nas inaugurações de obras públicas e festas, com seus incansáveis discursos, sob intermináveis aplausos dos eleitores esperançosos que ainda acreditavam em promessas e na possibilidade de que o progresso ainda estava para chegar.


Mas nem tudo foi somente alegria e prosperidade, pois o Rio Iguaçu que trouxe progresso para Porto Amazonas, através de suas águas navegáveis e tranquilas, trouxe também muita devastação e tristeza com as avassaladoras enchentes que destruíram o patrimônio e a esperança de muitas famílias. Casas, praças, escolas, jardins, quintais, pontos comerciais, não existiam obstáculos para que suas águas barrentas e persistentes entrassem e destruíssem tudo que aparecia pela frente. Uma cidade ilhada e quase destruída, foi assim que as manchetes dos jornais e noticiários se referiram a Porto Amazonas durante a terrível enchente de 1983 que castigou grande parte da cidade. Equipes de reportagem chegavam diariamente para mostrar ao Brasil como as águas do Rio Iguaçu cobriram uma pequena cidade do interior do Paraná.

Atualmente, Porto Amazonas, está há muito tempo sem grandes enchentes, ainda tenta se recuperar desse triste acontecimento e transformou-se numa pequena, acolhedora e tranquila cidade, totalmente diferente daquele movimentado município que se via. Os vapores e os trens por aqui não passam mais. O cinema e a escola de samba também já não existem, mas alguns políticos importantes continuam aparecendo em determinadas épocas, ainda tentando convencer eleitores esperançosos com sede de progresso.

É inevitável a comparação da antiga cidade dos tempos da navegação e das linhas férreas com a atual. Por que o progresso para nós é coisa do passado? Nosso município não merece ficar parado no tempo, com pouca perspectiva de evolução e melhorias.

Minha cidade querida, lugar de povo simpático, pacato e simples, mas que se entristece ao ter que deixar sua terrinha em busca de novas oportunidades nos grandes centros, pois das grandes indústrias que aqui estiveram instaladas, poucas permaneceram exercendo suas atividades. Pais de família e jovens se veem obrigados a se distanciar de seus familiares em busca de emprego para a manutenção de sua casa. Mas é a cidade perfeita para quem busca tranquilidade, dizem até que é o local ideal para aposentados, com as pescarias nas tardes ensolaradas, o chimarrão observando o pequeno movimento na rua, o passeio dos jovens na praça aos finais de semana, procurando, sem encontrar, algum tipo diversão. Todo verde de sua vegetação e com suas lindas cachoeiras, que até tenta oferecer aos seus habitantes um serviço de saúde, educação e segurança de qualidade, apesar de tantas dificuldades que nos são apresentadas cotidianamente.

Apesar de tudo, não podemos perder a esperança de que ainda teremos governantes realmente preocupados com o desenvolvimento da cidade, oferecendo à população toda infraestrutura de um grande centro, mas que preservem sua encantadora natureza, para que seus habitantes aqui permaneçam e contribuam para o progresso de nosso município, mesmo que os bons tempos do auge da navegação não voltem mais e fiquem apenas numa bela lembrança do passado, que apesar de não ter vivido me traz uma profunda saudade. Saudade cheia de esperança de que mesmo sabendo que o passado não volte mais, devolvendo o progresso do passado, ainda podemos sonhar com um futuro bem melhor que essa cidade e sua população certamente merecem.




















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