Joanir acende um cigarro em seu escritório. Da tragada demorada ao olhar desconfiado, tudo faz lembrar um chefão italiano. Nessa cena, o protagonista da história está no auge da sua experiência e controle do seu negócio: a rede de supermercados Condor.
Neto de imigrantes italianos, Pedro Joanir Zonta, 59 anos, tem mais que apenas o estilo italiano de ser. Mantém seu português de imigrante intacto e não esconde a profunda relação que tem com o bairro onde nasceu, cresceu e voltou para viver como bom filho pródigo: o Umbará. Foi nessa região que, desde pequeno, ajudou o pai e os irmãos no matadouro de porcos, depois no caminhão que transportava areia, na olaria, e de volta no matadouro. Todas foram tentativas frustradas de melhorar a situação financeira da família. Mas foi às margens da Avenida Winston Churchill, no Pinheirinho, que sua história começou a mudar. 
Joanir tinha 22 anos quando descobriu para que havia nascido. Depois que o matadouro foi fechado por uma inspeção federal, ele precisava encontrar rapidamente uma forma de manter a família. Decidiu, então, comprar um supermercado pequeno, apesar de nunca ter feito uma compra sozinho. Juntou dinheiro emprestando do irmão e do pai e tomou a decisão que mudaria sua vida. Quando contou a ideia para sua então mulher, ouviu:
– Como é que você vai fazer esse negócio se não conhece nada de supermercado?
– Em 90 dias, essa loja vai estar inteirinha na minha cabeça, afirmou o mais novo proprietário de um comércio varejista em 1974.
Seu Joanir, astuto com as ideias, sabia que precisava aprender muito. Por isso, no acordo de venda estava especificado que o antigo dono iria ensinar o funcionamento do negócio. Além disso, Joanir, depois do expediente no Condor, visitava outros mercados para ver o que tinham de diferente do seu.
Foi assim que conseguiu, em um mês, dobrar o faturamento da loja e aumentar o número de funcionários. Um ano depois realizou seu primeiro grande sonho: construir o supermercado e sua casa em um terreno próprio. “Meu primeiro objetivo era dar condições de sobrevivência para meus filhos”, lembra seu Joanir, com o rosto sério, como séria era a vida naquela época.
A primeira loja era em um prédio de dois andares e subsolo. Ali família e mercado se misturavam. Na época, seu Joanir, os três filhos pequenos e a mulher moravam no andar superior do prédio onde ficava o mercado, e dividiam o espaço com parte do estoque. “A lavanderia era meu escritório”, ri Joanir, enquanto lembra com gosto de uma época já distante.
Depois de muitas compras, decisões acertadas, altos e baixos na economia, hoje Joanir comemora os bons números: são 29 lojas em todo o Paraná, 6,8 mil funcionários atendendo uma média de 2 milhões de pessoas por mês e uma receita prevista para 2010 de R$ 1,7 bilhão.
Mas não é preciso tanta convivência para saber que esse empresário continua simples como na época de açougueiro do Umbará – com a diferença de que agora pode se dar ao luxo de comprar o que antes era apenas sonho, como a pequena coleção de carros antigos. A caminhonete Ford (1950) é do mesmo modelo que seu pai tinha, quando ainda batalhavam pela sobrevivência. “Mas quem dirigia era eu”, conta. Em meio a essas memórias automotivas, seu Joanir é o chefão que se diverte com os detalhes técnicos dos carros e que abre um sorriso a cada recordação.
De volta ao escritório
Desde o primeiro mercado o escritório sempre esteve junto a alguma loja. Hoje, é um pequeno universo paralelo sobre o Condor do Pinheirinho – uma sala espaçosa que contém uma mesa para trabalho e outra, maior, para reuniões com fornecedores e convidados. Ainda há um lugar secreto para repouso e almoços com os filhos – que agora trabalham com ele.
Um ambiente familiar que o chefão amplia para os funcionários mais próximos – todos com muitos anos de casa. Wanclei Said, um intelectual dos negócios, é um desses privilegiados: tem dez anos de casa e outros 22 de trabalho indireto com seu Joanir. Ele chegou ao Condor em um momento decisivo: a vinda das grandes redes ao comércio varejista do Paraná.
Enquanto todos vendiam seus negócios para as redes internacionais, Joanir apostava em outro caminho: “Ele me convidou com um objetivo – precisava de pessoas que o ajudassem a crescer”, conta o funcionário e amigo. A chegada de Wanclei ao Condor trouxe uma nova possibilidade para Joanir. “Quando ele tirou o peso da operação dos seus ombros, sobrou espaço para ter a visão focada na parte administrativa do negócio.”
Wanclei também gosta de pensar no papel político que Joanir possui, ocupando as funções de presidente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras) e vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) – cargos que hoje são exercidos com a naturalidade conquistada com o tempo. Wanclei conta que, antes, Joanir era um pouco resistente a esses eventos políticos, mas hoje ele mesmo brinca: “Fica tudo mais fácil quando você percebe que todos aqueles empresários são gente como a gente.”
Mas trabalhar com seu Joanir não é como trabalhar com qualquer outro empresário. “Ele tem uma inteligência dele. É muito esperto, dá um banho na gente. Enquanto eu pego a calculadora HP, ele já fez tudo de cabeça. Na simplicidade dele, sabe identificar pontos estratégicos e cobrar no momento certo, coisa que aprendeu na prática.” E continua: “Essa habilidade dificilmente os empresários possuem. A capacidade de delegar e saber cobrar. E tem hora que ele exige como se cobrasse de um filho. Nessas horas a coisa pesa mais um pouquinho. Porque ele faz a gente se sentir como se fosse da família.” Filhos de “um pai rígido, que gosta das coisas corretas”, como disse o filho caçula e piloto automobilístico Ricardo Zonta, 34 anos.
A sucessão
Mesmo sem pensar em aposentadoria, Joanir Zonta começa a arquitetar como enfrentará a sucessão. “Ele está preparando o caminho. Trouxe a família para a empresa e está ensinando tudo”, conta Wanclei Said, que assiste e participa dessa transição gradual. Cada um dos três filhos – Ricardo, Andréia e Sandra – trabalha em uma área diferente da empresa. “Acho que aos outros eles vão obedecer melhor. Pai é pai. Com um profissional vão aprender mais do que comigo”, conta Joanir, talvez por receio do pouco tempo de estudo convencional que teve na vida.
O que conquistou, ele mesmo define como uma obra. “Eu comecei pequenininho e nem imaginava aonde iria chegar – nem imagino aonde vamos chegar. Para o futuro, o que mais quero é que a família goste da empresa e que dê sequência ao trabalho.”
Conheci o Joanir, qdo eu era Gerente de Vendas das INDUSTRIAS TODESCHINI S.A., no final da década de 70 inicio da 80. Talvez hoje, ele não tenha idéia quem sou pois já se passaram muitos anos e perdemos o contato. De longe, acompanhei seu crescimento, atravez de amigos comuns e como cliente, hoje de sua loja do Champagnat. A gente sente um certo orgulho por ter participado de seu progresso, desde os tempos do Peter/Terezinha no Depto de Compras. Parabéns Joanir, teu $uce$$o é fruto de teu trabalho duro, arduo e honesto.É MERECIDO. Deus te Abençoe, hoje, amanhã e sempre. Um abraço do amigo Chico da Todeschini - 9921.1929 e 3244.3739.
ResponderExcluirpor que ?
ResponderExcluirTerei q repetir o q já escrevi ? cliquei sem querer em inscrever-se por e-mail. Gostaria q meu comentário chegasse ao Joanir. Obrigado
ResponderExcluirAmigo Xico, estes texto foi escrito em homenagem a este grande profissional que é o Sr Joanir, não tenho o contato com o mesmo, sugiro que entre em contato com a área administrativa da empresa que fica no pinheirinho, acredito que lá poderá obter informações sobre o seu velho amigo
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